Se você também se sentiu um pouco culpado no Dia do Amigo porque só conseguiu mandar um texto no WhatsApp ou rede social (ou nem isso …) em vez de um abraço de verdade, parece que não estamos só. Lendo um artigo muito interessante (e um pouco dolorido) na Folha de São Paulo, escrito por Carol Tilkian, descobri que a sensação de “falta uma rotina de presença” não é exclusividade minha.
Parece que a gente tá tão focado em colocar a “máscara de oxigênio em nós mesmos” que as amizades, que eram tão gostosas na infância, por não serem urgentes nem cobrarem nada, acabam ficando para um depois que nunca chega.
Uma pesquisa do PoderData de 2023 mostra que 1 em cada 4 brasileiros tem no máximo um amigo próximo. Mais de 1 em cada 10 nâo têm nenhum! Outra pesquisa, do Instituto Locomotiva de 2022, revela que um quarto dos brasileiros diz não se sentir próximo de ninguém. Não pela quantidade de gente à sua volta, mas pela baixa qualidade nos vínculos.
O artigo da Carol faz uma boa provocação. Com a falta de tempo, até a amizade adotou a lógica da produtividade. Buscamos comunidades de interesse, buscamos aqueles que nos espelham, que são do “nosso mundo” … e nos distanciamos daqueles que são diferentes de nós, mesmo tendo compartilhado muitas verdades no passado. Apesar de que são exatamente essas relações verdadeiras que nos dão qualidade e expectativa de vida.
Então, antes que a gente vire uma sociedade de “estarmos sozinhos, juntos” (ótima frase da psicóloga Sherry Turkle, mencionada no texto), que tal ligar para um amigo? Marcar um café, um jantar, uma conversa de verdade?

Deixe um comentário